contacte-me

Se algum dos conteúdos desta página despertou interesse e curiosidade, ou por qualquer outra razão, estou inteiramente disponível para responder a quaisquer perguntas.

Utilize o formulário ao lado para entrar em contacto comigo.

Nome *
Nome

N377
Setúbal, 2970
Portugal

Reflexões, Partilhas e Divagações de João Sevilhano

Este site ainda não tem um propósito claramente definido. Existe, para já, para poder publicar algumas das coisas que escrevo e outras que considero interessantes de partilhar.

Há medida que o propósito for ficando mais claro, logo se reflectirá nos conteúdos e estrutura do próprio site.

Blogue

Coisas escritas por mim.

Filtering by Tag: trânsito

Mudanças e a Rotunda do Marquês

João Sevilhano

Hoje, enquanto almoçava sozinho num daqueles restaurantes em que comemos sempre acompanhados, virado para a televisão onde estava a dar uma notícia sobre o engarrafamento provocado pelas alterações no trânsito na principal rotunda da capital, ouvi um comentário de uma das minhas "companhias" de refeição: "realmente as pessoas e a mudança... Isto é uma coisa mesmo portuguesa".

Foi como se a senhora tivesse ouvido os meus pensamentos. Confesso que já tinha pensado exactamente no mesmo enquanto ouvia as notícias da manhã a caminho de Lisboa.

Quero acreditar, correndo o risco de me manter numa posição de ingenuidade, que estas pessoas responsáveis pela coisa pública, pelo menos os técnicos, trabalham para melhorar as condições. Inclusive as nossas, dos utentes das coisas públicas.

Neste caso, o argumento de defesa do presidente de câmara fez-me todo o sentido. As pessoas estavam a utilizar mal a coisa. Havia uma condutora na rádio que dizia que "a rotunda estava bem como estava e agora estava um caos". Não sei se ela era uma dessas pessoas, mas pareceu-me que as pessoas estavam, de facto, a utilizar mal a coisa.

Esta é uma dificuldade que não é só portuguesa, mas talvez nós pequemos pelo exagero, é uma dificuldade humana. A mudança, a adaptação a novas circunstâncias que alteram a maneira habitual de fazer o que fazemos, é difícil, custa-nos e causa-nos sofrimento. Muitas vezes a forma mais fácil de nos defendermos e lidar com estas alterações é criticar. Curioso como empregamos tão facilmente tanta energia nesta opção e tão pouca em, por exemplo, aprender como se faz da nova maneira. Experimentar, testar, arriscar… aprender.

Grande parte das vezes a (in)formação até está disponível. É a preguiça ou o facto de não sabermos fazer de outra forma, porque assim fomos (mal) educados e (mal) aculturados, que levará à crítica fácil. É mais fácil colocar a responsabilidade fora de nós.

O mesmo se poderia dizer em relação à situação que nós e o país vivemos hoje. O mesmo se poderia pensar em relação às reacções às medidas de austeridade. Contudo, aí há uma diferença que não tem só a ver com a dimensão e complexidade do tema. Tem a ver com a informação, com a transparência, com aquilo que se diz mas sobretudo com o que não se diz. Em última análise estamos a falar de confiança e respeito.

Sem informação precisa e clara, em suma sem respeito pelos outros, é difícil que se gere uma relação de confiança. Aqui tudo é posto em causa e especialmente o que muda, em grande parte das perspectivas, para pior.

Claro que tudo muda também quando se sabe que aquela premissa que há pouco referia, que os responsáveis pela coisa pública fazem o melhor pelos seus cidadãos, não é cumprida. E aqui voltamos à questão do respeito.

Licença Creative Commons