Geografia, tempo e natureza humana
João Sevilhano
A natureza humana é independente da geografia. Talvez até do tempo, embora seja influenciada por ambos.

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A natureza humana é independente da geografia. Talvez até do tempo, embora seja influenciada por ambos.

O tempo, mais do que bom conselheiro, é um companheiro. Um parceiro em qualquer viagem. Sobretudo na viagem da vida. Quando a vida é encarada como um percurso de aprendizagem de nada nos serve dizer que ele, o tempo, nos falta. De nada nos serve queixarmo-nos dele porque aí está para nos ajudar. Basta que o aceitemos, basta darmos tempo ao tempo, com inteligência, paciência e confiança. Porque ele, o tempo, nada faz para nos atrapalhar. Para isso bastamo-nos.
Mais sobre o tempo para breve.

“Mais do que uma época de mudanças, o momento em que vivemos deve configurar-se como uma mudança de época”.
Não podíamos estar mais de acordo com a expressão, cujo autor e respectiva referência, infeliz e injustamente, se apagaram da memória. Arriscamos mesmo dizer que a mudança necessária não é apenas política, económica, nem social. É, sobretudo, cultural ou mesmo civilizacional.
Concebemos as organizações como “redes de conversações orientadas para resultados”. Neste contexto o coaching entra como um processo de apoio à afinação e refinação dos discursos, das narrativas individuais e colectivas. Configura-se num veículo - aliás a origem do termo vem do “coche” - que pode permitir a promoção de aprendizagens que tornem as conversações mais eficazes, claras e precisas.
Não basta apenas mudar as palavras. Esse seria um exercício infrutífero. Ao mudar as narrativas alteram-se as concepções, os paradigmas com que observamos o mundo, as interpretações e juízos que fazemos. A linguagem é um agente intermediário privilegiado neste processo de mudança. Não é porventura o único nem será o mais importante.
Para nós, aprendizagem não é apenas a aquisição de uma nova capacidade de execução. A verdadeira aprendizagem implica a identificação do indivíduo com o que é aprendido. Para que a aprendizagem aconteça, para que seja efectiva e sustentada, o tempo é um factor preponderante.
É essencial para que a referida identificação ocorra, para que o que foi aprendido se transforme em mais do que apenas novas maneiras de fazer, se torne em novas maneiras de falar, de se relacionar com os outros e de ser. Sem tempo essa nova capacidade de execução não se pode tingir com um fundo afectivo que permita retirar prazer das novas competências, tornando-as assim parte do indivíduo.
O que precisamos então de aprender? Individual e colectivamente? Que paradigmas devemos, queremos ou temos de mudar?
Embora a solução imediata nos escape, talvez porque não seja imediata, estamos convictos que a mudança passará por uma maior atenção e (pre)ocupação com as pessoas, com a dimensão humana. Os paradigmas positivista e economicista que influenciam a gestão e a ciência modernas afastam-nos, têm-nos afastado, deste propósito.
Persigamos novos caminhos de aprendizagem. Quem sabe, nem teremos de os inventar, bastará recuperá-los.
Publicado no Jornal OJE Suplemento Human de Junho de 2012
