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N377
Setúbal, 2970
Portugal

Reflexões, Partilhas e Divagações de João Sevilhano

Este site ainda não tem um propósito claramente definido. Existe, para já, para poder publicar algumas das coisas que escrevo e outras que considero interessantes de partilhar.

Há medida que o propósito for ficando mais claro, logo se reflectirá nos conteúdos e estrutura do próprio site.

Blogue

Coisas escritas por mim.

Filtering by Tag: perguntas

Afinal, perguntar ofende?

João Sevilhano

Recentemente deixei esta provocação. Na altura tinha já uma resposta para dar à interrogação que lá deixei mas preferi construi-la em conjunto com quem quisesse deixar os seus comentários.

Confesso que também o fiz desta forma para dar uso aos comentários deste blogue, para promover a participação, para que não seja uma comunicação apenas num sentido. Cá está um exemplo das intenções escondidas numa pergunta! Por outro lado, fica também evidente o potencial criador que elas comportam. Obrigado a todos pelas vossas enriquecedoras participações.

Vamos então à resposta, primeiro a que tinha e a que me ajudaram a construir.

Na altura pensei que não é a pergunta que ofende, é a resposta, ou a sua ideia, que tornará uma pergunta ofensiva.

Mesmo a pergunta mais "suja", mais carregada com intenção provocadora, se encontrar um interlocutor que não se ofenda com a resposta a dar perderá o seu potencial ofensivo (esta agora soou como se viesse de um comentador de futebol...). Esta ideia é claramente insuficiente e demasiado simplista.

Tenho poucas dúvidas que a pergunta pode ser utilizada como uma forma encapotada de emitir juízos e opiniões. Colocar um ponto de interrogação no final da frase não é suficiente.

As perguntas deverão servir, pelo menos, três propósitos de base:

  • Obter informação que não se possui;
  • Reflectir sobre o que se sabe e/ou o que não se sabe;
  • Abrir "portas", possibilidades por explorar;
Para quê perguntar se as três condições acima estão cumpridas?

Há outras formas de passar a mensagem, bem mais eficazes e menos indutoras de equívocos.

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Perguntar ofende?

João Sevilhano

O ditado popular diz que "perguntar não ofende".

Apesar disso, penso que será fácil reconhecer que há perguntas que fazemos e são interpretadas como ofensivas e, por outro lado, há perguntas que nos fazem que nos deixam ofendidos. 

Que quererá dizer a sabedoria popular com este ditado?

Tenho uma resposta já ensaiada mas gostaria de saber a vossa opinião. Deixem-na nos comentários durante os próximos dias e lá para terça-feira construiremos a resposta em conjunto.

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Uma mudança de época

João Sevilhano

“Mais do que uma época de mudanças, o momento em que vivemos deve configurar-se como uma mudança de época”.

Não podíamos estar mais de acordo com a expressão, cujo autor e respectiva referência, infeliz e injustamente, se apagaram da memória. Arriscamos mesmo dizer que a mudança necessária não é apenas política, económica, nem social. É, sobretudo, cultural ou mesmo civilizacional.

Concebemos as organizações como “redes de conversações orientadas para resultados”. Neste contexto o coaching entra como um processo de apoio à afinação e refinação dos discursos, das narrativas individuais e colectivas. Configura-se num veículo - aliás a origem do termo vem do “coche” - que pode permitir a promoção de aprendizagens que tornem as conversações mais eficazes, claras e precisas.

Não basta apenas mudar as palavras. Esse seria um exercício infrutífero. Ao mudar as narrativas alteram-se as concepções, os paradigmas com que observamos o mundo, as interpretações e juízos que fazemos. A linguagem é um agente intermediário privilegiado neste processo de mudança. Não é porventura o único nem será o mais importante.

Para nós, aprendizagem não é apenas a aquisição de uma nova capacidade de execução. A verdadeira aprendizagem implica a identificação do indivíduo com o que é aprendido. Para que a aprendizagem aconteça, para que seja efectiva e sustentada, o tempo é um factor preponderante.

É essencial para que a referida identificação ocorra, para que o que foi aprendido se transforme em mais do que apenas novas maneiras de fazer, se torne em novas maneiras de falar, de se relacionar com os outros e de ser. Sem tempo essa nova capacidade de execução não se pode tingir com um fundo afectivo que permita retirar prazer das novas competências, tornando-as assim parte do indivíduo.

O que precisamos então de aprender? Individual e colectivamente? Que paradigmas devemos, queremos ou temos de mudar?

Embora a solução imediata nos escape, talvez porque não seja imediata, estamos convictos que a mudança passará por uma maior atenção e (pre)ocupação com as pessoas, com a dimensão humana. Os paradigmas positivista e economicista que influenciam a gestão e a ciência modernas afastam-nos, têm-nos afastado, deste propósito.

Persigamos novos caminhos de aprendizagem. Quem sabe, nem teremos de os inventar, bastará recuperá-los.

Publicado no Jornal OJE Suplemento Human de Junho de 2012

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