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N377
Setúbal, 2970
Portugal

Reflexões, Partilhas e Divagações de João Sevilhano

Este site ainda não tem um propósito claramente definido. Existe, para já, para poder publicar algumas das coisas que escrevo e outras que considero interessantes de partilhar.

Há medida que o propósito for ficando mais claro, logo se reflectirá nos conteúdos e estrutura do próprio site.

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Coisas escritas por mim.

Filtering by Tag: linguagem

As consequências da inconsequência

João Sevilhano

Embora não seja ainda parte do senso comum, em alguns meios, nomeadamente na Linguística e Filosofia da Linguagem, a linguagem é mais que um conjunto de símbolos convencionados que servem para descrever a realidade. A linguagem em si é realidade, cria realidades. A linguagem é acção.

A inconsequência do discurso é uma situação comum, bem mais do que o desejável, e nos dias que correm é fonte de muitos dos graves e complexos problemas e desafios que vivemos. É basicamente a incoerência entre o dito e o feito, entre a acção declarada e a acção efectiva.

Como a linguagem é, por si só, acção, o discurso terá sempre consequências, como toda a acção. O impacto nota-se tanto ao nível do emissor como ao nível dos receptores.

Heis dois cenários possíveis, entre muitos outros:

  • Um discurso inconsequente, incongruente com as acções efectivas seguintes, influencia a imagem pública do emissor. Influencia a ideia que terceiros constroem do portador da "mensagem", do actor linguístico.

  • Mesmo que a identidade pública não seja afectada, há o risco de o próprio entrar e percorrer uma espiral de culpa, de tensão e pressão provocada pela realidade criada pela linguagem. A declaração tem o poder vinculativo a um futuro. A não aproximação a esse futuro poderá configurar-se como um factor motivador deste tipo de sofrimento.

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A dimensão humana e a gestão das pessoas

João Sevilhano

Peter Drucker, um dos principais pensadores do mundo da gestão, tinha uma máxima que acabou por definir um conjunto de paradigmas cuja importância e influência vão para além do contexto empresarial: "if you can’t measure it, you can’manage it".

A passagem do paradigma da gestão dos recursos humanos para o da gestão das pessoas traz consigo uma incongruência, para não referir incompatibilidade, de base. Como se medem as pessoas? Como se gerem as pessoas? Uma das formas de resolver este paradoxo pode passar por um pequeno jogo de linguagem: passar da gestão de pessoas para a gestão com e para as pessoas.

Os jogos de linguagem não são, obviamente, a solução, pelo contrário, serão parte do problema. Não bastará declarar a mudança de paradigma. Essa declaração, um dos actos linguísticos básicos segundo John Searle, deverá fazer-se acompanhar por acções congruentes, não esquecendo que o discurso, em si, é já acção.

Há que reconhecer que, nas empresas, no país, no mundo, nas pessoas, as incoerências entre o discurso e a acção são parte da natureza humana. Apesar disso, somos seres capazes da coerência e é nessas ocasiões que a humanidade dá passos em direcção à prosperidade. 

Não se pode continuar a apregoar a promoção do equilíbrio entre a dimensão pessoal e a dimensão pessoal dos colaboradores enquanto se bombardeiam as pessoas com volumes de trabalho impensáveis, a marcar reuniões para as seis da tarde e a enviar emails às duas da manhã. Qual o objectivo de pedir que se esteja disponível vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, sendo hoje em dia tão fácil de controlar e exigir a disponibilidade dos colaboradores com as novas tecnologias?

Que sentido faz dizer que se contribui para a prosperidade da economia e da sociedade quando se continuam a explorar os trabalhadores independentes através de falsos recibos verdes, quando se "emprateleiram" pessoas porque sai mais barato ou para as forçar a despedir-se, quando a juventude e a senioridade são vistas como obstáculo?

Para quê utilizar uma série de benefícios, cada vez mais sofisticados, como se de uma capa sedutora se tratasse que serve para cobrir o verdadeiro propósito.

As pessoas, na sua imensa complexidade, tem de poder estar abertas e sobretudo disponíveis a outros domínios da sua vida. Esse direito não deve ser um luxo de poucos. Deve ser uma exigências de muitos. Não será possível continuar nesta senda da produtividade, eficiência e eficácia a todo o custo, não será sustentável. Está na altura de encontrarmos caminho para que o negócio se reencontre com o ócio, com a contemplação, com a família e os afectos. 

É imperativo o reencontro com a dimensão humana na sua plenitude. Só desta forma poderá haver uma promoção activa da qualidade das pessoas enquanto tal, tanto em falta nos líderes de hoje. Muito se preconiza que a liderança deverá partir de uma postura e atitude de autenticidade, esquecendo muitas vezes que muitas pessoas ao serem autênticas são execráveis.

Não podemos ficar pelos nomes, pelos conceitos, pelos paradigmas e pelas teorias. Tem de se encontrar uma nova filosofia, uma filosofia prática, em que garantamos todos, através do nosso exemplo, que ela vive e é aplicada.


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O menosprezo pela sabedoria

João Sevilhano

A sabedoria é popular, o senso é comum e o conhecimento é cientifico.

Há qualquer coisa de errado na forma como os valorizamos, na linguagem corrente.

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