Um dia de Verão
João Sevilhano
Apeteceu-me (re)publicar este texto que escrevi há 2 anos…
Num dos raros dias que funcionou, o despertador rouba-me mais um sonho. Tarefa a que está acostumado grande parte do ano mas não agora, não durante esta altura. Levanto-me, já sem me lembrar o que o toque tranquilo mas persistente me levou. Apresso-me para um mergulho pois dessa forma sei que o sono me vai deixar em paz. Pelo menos durante umas horas!
É hora de almoço e tenho a felicidade de me deleitar com o meu prato preferido. Os pequenos peixes estiveram na grelha o tempo que precisavam de estar. Lá colocados por alguém que, sem nunca ter sido ensinado, sabe qual o tempo que eles precisam.
Comigo estão algumas das pessoas que melhor me conhecem. Das pessoas com quem mais aprendo sem me quererem ensinar. Tudo é familiar. As pessoas, o espaço, o cheiro, o som… Ao contrário do sonho da manhã, aqui lembro-me de tudo. Desde recordações longínquas, memórias recentes, emoções de ternura e também de saudade, mas sobretudo de felicidade.
Parto para a praia, os professores da manhã já não estão comigo, mas não estou sozinho. Continua ao meu lado quem mais me conhece e quem ainda está por conhecer, por descobrir. Mais tarde, quando o sono interrompe a sua sesta, chega a pessoa que com toda a sua diferença é a que comigo mais parecida é. Falamos, rimos e mergulhamos até que o sono acorda de vez e nos obriga a calar.
Não estou sozinho, mas de vez em quando faço por me perder ficando apenas acompanhado pelo mar. Que bela companhia que és! E hoje trouxeste-me um grupo de golfinhos que presenteou todos os que naquela praia passavam um dos melhores dias deste Verão. É, para mim, inexplicável e espantosa a atracção que estes animais provocam. Verdade é que miúdos, graúdos, portugueses e estrangeiros todos pararam durante um par de horas a olhar para os incontáveis repuxos, saltos e piruetas. Que divertida maneira de caçar e comer!
Mas nem todos estavam contentes com o festim. Os homens da “Arte” queixam-se que os golfinhos lhes roubam aquilo que com tanto esforço procuram.
Mais tarde, um outro acompanhante decide sair. Como, sem falhar, todos os dias o faz. Não tem grande atenção à pontualidade nem se preocupa com os demais mas podemos contar sempre com ele. É previsível mas de uma boa maneira. Mesmo quando não o vemos ou sentimos, sabemos que lá está.
E quando ele sai, acaba também um dia de Verão…
…apenas para começar uma das muitas noites!
