As consequências da inconsequência

Embora não seja ainda parte do senso comum, em alguns meios, nomeadamente na Linguística e Filosofia da Linguagem, a linguagem é mais que um conjunto de símbolos convencionados que servem para descrever a realidade. A linguagem em si é realidade, cria realidades. A linguagem é acção.

A inconsequência do discurso é uma situação comum, bem mais do que o desejável, e nos dias que correm é fonte de muitos dos graves e complexos problemas e desafios que vivemos. É basicamente a incoerência entre o dito e o feito, entre a acção declarada e a acção efectiva.

Como a linguagem é, por si só, acção, o discurso terá sempre consequências, como toda a acção. O impacto nota-se tanto ao nível do emissor como ao nível dos receptores.

Heis dois cenários possíveis, entre muitos outros:

  • Um discurso inconsequente, incongruente com as acções efectivas seguintes, influencia a imagem pública do emissor. Influencia a ideia que terceiros constroem do portador da "mensagem", do actor linguístico.

  • Mesmo que a identidade pública não seja afectada, há o risco de o próprio entrar e percorrer uma espiral de culpa, de tensão e pressão provocada pela realidade criada pela linguagem. A declaração tem o poder vinculativo a um futuro. A não aproximação a esse futuro poderá configurar-se como um factor motivador deste tipo de sofrimento.

João Sevilhano

Consultório, 65 Rua Garrett, Lisboa, Lisboa, 1200, Portugal

Nasci, no início dos "patetas" anos 80, em Lisboa onde vivi durante um par de anos. Poucas memórias tenho dessa altura apesar de ter ficado com uma estranha mas confortante sensação sempre que passo pelo Jardim da Estrela. Muito cedo fiquei a conhecer Sesimbra, onde ainda vivo depois de algumas aventuras em outros sítios. Desde cedo foi evidente que a curiosidade é uma característica distintiva. O meu interesse pelas ciências, embora na altura sem saber que assim se chamava, cedo começou a despontar. De forma natural as escolhas no secundário versaram sobre áreas como a Química, Biologia e Psicologia, todas elas, cada uma da sua forma, me permitiam tomar contacto com sugestões teóricas do funcionamento humano e não só. Psicologia foi a primeira escolha. A licenciatura foi concluída com entusiasmo e a escolha pela área clínica nunca foi posta em causa, mesmo que o futuro trouxesse perspectivas profissionais noutro sentido. Assim aconteceu, por facilidade e por “herança”, a primeira experiência profissional foi em contexto empresarial. Época de grande aprendizagem e definição. Serviu para clarificar que é no trabalho clínico, não necessariamente no sentido clássico ou tradicional do termo, que mais me sinto realizado. Desde então procuro conciliar esses dois mundos, tantas vezes separados por tradições, convenções e preconceitos: o de um trabalho mais próximo e íntimo, como é o um-para-um, num contexto onde este tipo de interacções é menos habitual, o das organizações. Em resumo, dedico-me a uma constante evolução, a uma constante construção, a uma incessante aprendizagem sobre mim próprio, sobre os outros e sobre o mundo. Acredito que é assim que poderei ajudar os outros a fazer o mesmo. Quanto à forma, trabalho com diversas metodologias que permitem intervenções a nível individual, com grupos, equipas e organizações.