A Filosofia para Epicuro...
João Sevilhano
... é assim tão diferente de muitas e "novas" práticas "modernas"?

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... é assim tão diferente de muitas e "novas" práticas "modernas"?

Depois das conferências de coaching em que participei, esta última em Londres, de onde escrevo estas palavras, fico sempre com ideias e sentimentos contraditórios. Se, por um lado, fico contente por me ver diferente de grande parte das pessoas que encontro também fico desapontado por ver que a grande maioria não entende as, para mim, mais importantes mensagens que aqui se passam.
São pessoas que se encantam facilmente, estas que se dedicam ao “desenvolvimento pessoal”. Contudo, sinto, em muitos casos, que as demonstrações de compreensão, de iluminação ou de repentinos saltos de maior consciência e clareza não passam de manifestações superficiais e inautênticas. Algumas, tenho de reconhecer, são autênticas mas não deixam de ser superficiais. Essa genuinidade ingénua é a que mais me preocupa. Não é como a das crianças, leve e espontânea, afinal estamos a falar de adultos. É, antes, fabricada, treinada e reforçada para passar uma imagem, pesada, de leveza e permanente boa disposição. É uma felicidade que, não o sendo, enjoa.
Não sou daqueles que fica incomodado com a felicidade dos outros, mas isto a que me refiro não é felicidade. É apenas um cenário de ilusão auto-induzido.
Constrói-se em mim a ideia de que os oradores principais, que nesta conferência não eram coaches, são as pessoas mais interessantes nestes eventos e que, neste caso, apelaram, cada um à sua maneira, a que voltem as reflexões e acções baseadas em valores humanos básicos. A tal peregrinação de que falou o poeta David Whyte.
Não se julga um livro pela capa, mas quando a capa é a única coisa a que se dá importância torna-se difícil não prestar atenção. O pior acontece quando se confunde a capa com a história e as ideias do livro. Há por aí muitas pessoas confundidas
* ICF Global Conference 2012, Londres
