Reflexões, Partilhas e Divagações de João Sevilhano

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Outros benefícios (?) das redes sociais

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Há estudos que nos explicam o número exacto de caracteres que um texto deve ter para poder ser lido por mais pessoas e, de forma mais precisa, para não enfadar nem levar ao abandono da sua leitura; há quem saiba o número exacto de minutos e segundos que um vídeo deve ter para ser visto até ao fim. 

Quando alguém afirmar que sabe quantas relações estabelecidas através das redes sociais são necessárias para atingirmos a felicidade estamos salvos ou condenados. 

Embora reconheça que estas capacidades são úteis e podem ajudar na adaptação ao mundo de hoje, tenho para mim que não podemos, não posso, deixar-me levar por esta onda. Há que reclamar o direito, ao ócio, à atenção, à presença, ao afecto autêntico e genuíno. Tudo isto leva tempo e muitos mais caracteres e minutos do que qualquer artigo ou vídeo fabricados a pensar na geração da “internet”, que somos todos nós que nela estamos.

Os beneficios (?) das redes sociais

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Um dos argumentos muito utilizados por todas as redes sociais é a oportunidade de ligação entre as pessoas que proporcionam. De facto, através delas, movem-se pessoas que criam revoluções necessárias; vêem-se projectos a nascer que nunca veriam a luz do dia sem a sua existência; assiste-se a reencontros entre velhos amigos, familiares distantes, animais perdidos e outras felizes e infelizes tragédias da humanidade.

Por outro lado, criam condições para um novo tipo de violêncianovos tipos de manipulação e censura. Criam também, para mim, um dos seus maiores perigos, a ilusão de companhia que pode levar à solidão e isolamento.

Curioso este aparente paradoxo: as redes sociais podem levar à solidão e ao isolamento.

Portanto, acredito que, como em tudo, as redes sociais têm tanto de vantajoso como de perigoso. Tudo dependerá de quem está por detrás do gatilho ou, neste caso, de quem pressiona a tecla “enter”.

Sem nada para escrever
Escrever sobre nada

Há dias, há alturas, em que se sente uma energia que não tem fim, num duplo sentido da palavra. Não se sabe para que serve, não se conhece a sua finalidade, e não se encontram nem se descobrem os seus limites, não se conhece a sua verdade.

Há alturas em que se sente um desejo sem que se conheça o seu objecto. Uma vontade de nada; um desejo de tudo que com nada se se satisfaz.

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As redes sociais e o “complexo de Jesus (ou Maomé, ou Buda…)”

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Eu próprio posso ser acusado de sofrer desse complexo. Afinal tenho este blogue, estou nas redes sociais, leio notícias e sinto-me impelido e conhecer as que se transforma em novelas, embora não as siga nem as conheça a fundo, para não me sentir à parte das conversas da maioria. Ainda bem que cada vez menos sinto esse impulso.

Hoje confundem-se afectos com número de amigos, seguidores, subscritores, likes, retweets, corações, estrelas, visitas ou comentários. É triste.

A riqueza e a imprecisão das expressões: "Uma hora pequenina"

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Na minha, na nossa, experiência o trabalho de parto durou desassete horas. Hoje, livre do corropio de sentimentos, emoções, dúvidas, perguntas, incertezas, inseguranças, alegria, ansiedade, felicidade, pergunto-me:

Que hora exacta, das desassete, desejariam as simpáticas pessoas que fosse pequenina?

Carta ao pai (do João Tordo)

Decidi partilhá-la, não porque tenha a presunção de poder ajudar na sua divulgação, afinal a carta foi publicada na íntegra no jornal Público e anda a circular no Facebook.

Decidi colocá-la aqui porque me identifiquei com as palavras do escritor, apesar de nada na minha vida se parecer com a situação concreta daquela família.

Identifiquei-me porque vivo e estou atento à realidade descrita. Porque reconheço esse fenómeno infeliz, habitual e anti-social dos comentários nas redes sociais, que tão bem reflecte o estado actual da sociedade, da humanidade.

Entusiasmei-me com a capacidade de escrever a realidade de forma tão clara, num homem que se dedica a escrever ficção.

Comovi-me com a coragem e com a habilidade para colocar em palavras os afectos que parecem tão reais, tão autênticos, mantendo a elegância de não comprometer a intimidade. A sua e a da sua família.

Heis a carta...

Gosto de chuva

Gosto de quando chove na cidade. Gosto particularmente da chuva em Lisboa. Gosto da forma como as gotas se amontoam nas extremidades dos edifícios, de como aí ficam a engordar até não mais aguentar precipitando-se em direcção à calçada. Gosto da forma  como os carris dos eléctricos se transformam em pequenos rios, correndo mais depressa ou mais devagar consoante a inclinação da rua. E tantas ruas inclinadas tem Lisboa. Quando apanho um desses rios a correr sou invariavelmente transportado para um estado de criança, apetece-me dobrar uma folha de papel para que se pareça com um barco e colocá-lo a descer, por exemplo, a Calçada da Estrela. Deveria descer rápido!

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Obsessões modernas, ambições clássicas

Este texto chega com uma semana de atraso, apesar de o ter começado a escrever há algum tempo. Tenho querido escrever sobre tecnologia, sobre o impacto que tem nas nossas vidas, na minha vida. Nunca foi intenção de utilizar este espaço para fazer reviews de aplicações ou de aparelhos, nem é esse o sentido que quero dar a este texto, embora não queira fechar essa possibilidade, já que a renovação que quis fazer a este espaço tem a vantagem de não me limitar a formatos, propósitos e estilos predeterminados.

Como referi, há algum tempo que tenho vontade de partilhar algumas das ideias e reflexões que tenho feito acerca do papel da tecnologia, das influências e repercussões do seu uso na nossa vida enquanto indivíduos, sociedade e civilização. Mais concretamente tenho-me interessado por questões como: a acessibilidade da informação, do conhecimento e a dimensão “social” digital que hoje nos liga todos. Até os que nela não participam, ou dizem que não participam. Mesmo esses, estando fora, desempenham o seu papel e fazem sentir o seu impacto, pela oposição e exclusão, em mais do que um sentido, que representam.

Mais recentemente tomei contacto com o Evgeny Morozov - autor, pensador, crítico e profuso utilizador do Twitter. Para quem não o conhece sugiro a leitura deste artigo.

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Mini-Novela Epistemológica*

No reino das grandes áreas do saber, já depois do auge onde todo o seu esplendor, beleza e complexidade seduziam de forma incontornável; tendo, por isso, perdido já algum do seu sex appeal - exibindo uma elegância típica das divas que, apesar da sua condição privilegiada , ganham com o passar dos anos - a Filosofia começou a interessar a Medicina. Esta última, ganhava um novo estatuto, apesar de sempre ter estado próxima dos deuses. Pode-se até conjecturar que se terá aproveitado da “velha” diva, embora a verdade nunca se tenha descoberto e, provavelmente, nunca se venha a descobrir.

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Um adiamento...

Esta semana não consegui escrever nada que me tenha satisfeito o suficiente para publicar aqui. Ainda assim, como não quero quebrar a rotina que instaurei, escrevo.

Estive para partilhar algumas ideias sobre as redes sociais, sobre o que sinto com a sua utilização e o impacto que têm tido na minha vida e o alcance que vejo que têm na vida dos outros. Sou muito crítico do Facebook, por exemplo, durante o período de Festas em que estive de férias ponderei seriamente abandonar aquela que é ainda a "rainha" das redes sociais. A verdade é que não o fiz, até porque mais de 30% das visitas deste blogue e desta página são provenientes dessa rede social.

Tenho vontade de desenvolver este assunto, comecei a fazê-lo num texto que vou publicar, espero que na próxima semana, que já tem título: "Obsessões modernas, ambições clássicas".

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"Felicidadezinha"

Não foi tranquila a decisão de publicar este texto. Parte dele estava escrito há alguns meses, quando estive de férias em Agosto. Enquanto decidia, acompanhava-me um sentimento de familiaridade que me causou um desagradável conforto. Conforto por saber que o tema me tem ocupado tantas vezes as ideias, por me ser familiar, por imaginar que o mesmo se terá passado nalgum momento da vida de todas as mulheres e de todos os homens que alguma vez existiram. Alguns deles muito mais inteligentes, capazes e experientes, terão até dedicado boa parte, ou a totalidade, da sua vida a pensar, a produzir conhecimento e sabedoria sobre o assunto. O desagrado surgira por considerar, que perante tamanha magnitude das ideias já concebidas, por saber que não posso conhecer tudo o que já foi pensado, dito ou escrito, por verificar o falhanço assumido por todos as pessoas decentes na descoberta de uma solução universal, talvez por que não exista, independentemente do que eu pense ou escreva pouco ou nada mudará. É possível que tal não seja verdade, talvez possa mudar algo em mim ou em algumas das pessoas com quem contacto, talvez a solução esteja aí mesmo. 

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A "técnica" de diálogo

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Para nós o diálogo é muito mais do que um conjunto de técnicas, normalmente mais fáceis de aprender e de aplicar, já que se apoiam numa dimensão puramente cognitiva, relacionada com o processamento e partilha de informação. Falamos, por exemplo, da manutenção do contacto visual, da capacidade de resumir a informação veiculada pelo nosso interlocutor, da utilização da paráfrase e da repetição, da clarificação, dos reforços positivos (assentir, etc.). Já se perguntou se nos diálogos que mantém na sua empresa, na sua vida, a exclusiva aplicação destas técnicas é suficiente para considerar uma conversa uma boa conversa?

No diálogo não podemos deixar de considerar a dimensão emocional/afectiva e relacional, que é tão ou mais mais importante que o domínio de técnicas ligadas demasiadas vezes à dimensão operacional do diálogo. A última, é inegavelmente influenciada pela primeira.

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"Se não sabe, porque é que pergunta?"

Entre muitas outras possibilidades de temas interessantes para escrever e partilhar nesta semana, uma reflexão que o meu amigo Pedro Mateus, que, entre outras coisas, é professor, partilhou no seu blogue teve o efeito que os bons pensamentos normalmente têm: produzir mais ideias. Depois de ler a sua publicação, estive para lhe responder na caixa de comentários. Não o fiz porque me vi envolto numa associação de ideias que gostaria de explorar com mais atenção e dedicação.

A primeira das ligações que fiz deu origem ao título deste texto. A grande sabedoria do João dos Santos deveria ter ainda mais expressão do que já tem. 

Lembrei-me também de um outro que li em tempos no blogue Semiose e que também comentei. Podia continuar a descrever as associações que fui fazendo mas acredito que isso se tornaria numa distracção para quem lê e para mim próprio.

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Mais uma descoberta da paternidade

Ao reler o último texto que escrevi, já depois de publicado aqui, surgiu-me outra ideia. Serei breve.

Ser pai é simultaneamente apurar e lutar contra os instintos. Como referi no anterior texto, muitas das perguntas se vão respondendo espontaneamente, instintivamente.

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As descobertas da paternidade

Para o primeiro texto após a renovação anunciada há uma semana, aproveitando a sugestão de um amigo, decidi escrever sobre a paternidade, sobre parte da minha experiência enquanto pai inexperiente, como são todos cujos filhos nasceram há pouco tempo. Pensando bem, segundo uma determinada perspectiva, talvez não seja possível acumular experiência enquanto pai, pois os desafios são constantes, inesperados e diversos. Por exemplo, a chegada de um segundo filho pode tornar evidente a inutilidade da experiência feita, já que não se trata de replicar o que se aprendeu mas sim de construir de raiz uma nova relação e, consequentemente, de encontrar internamente toda uma nova forma de ser. Por outro lado, como em tudo, a experiência pode trazer mais tranquilidade e mais recursos para lidar com o inesperado. A experiência pode tornar mais adequadas e acertadas as reacções espontâneas e aqui sou levado a argumentar que a paternidade transporta a possibilidade de nos tornar melhores pessoas, a hipótese de transferir a sabedoria que se ganha para outros domínios da vida. 

Chegado a este ponto sinto a necessidade de expor a fatal limitação das minhas reflexões, ligadas de forma inseparável aos meus pontos de vista. Deixo claro que neste texto me referirei à minha experiência como pai, limitado que estou à minha condição de homem, pois acredito que há grandes diferenças entre a paternidade e a maternidade. 

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Renovação

Penso e sinto que tenho dado pouca atenção a este blogue. 

Não me faltam ideias e vontade para escrever. Feliz ou infelizmente tenho o dom e a maldição de ter uma mente inquieta. Por isso, os bloqueios e justificações são outros, de outra ordem. Entre eles está a própria natureza deste espaço - público, sujeito a interpretações, a críticas, a reprovações, a concordâncias e identificações. A ilusão da falta de tempo - essa velha desculpa - é igualmente um dos argumentos que uso para acalmar a culpabilidade por ter e manter um espaço que apenas respira quando julgo que aquilo que partilho é digno de ser lido por alguém que não eu. 

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Sobre a escuta

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Mais facilmente se consegue escutar bem se tivermos tido a experiência de ter sido bem escutados. Há, portanto aqui um papel importante que resulta da interacção com os outros, nomeadamente enquanto filhos na relação com os pais.

Por outro lado, ocorreu-me recentemente a seguinte ideia:

Alguém com plenas capacidades auditivas, não pode dizer nunca que não é capaz de escutar. Apenas poderá dizer que determinada mensagem não lhe interessou.

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Há algum tempo que tenho vindo a desenvolver e alimentar a ideia, que não é minha, se é que as ideias têm donos, que a evolução e os desenvolvimento desenvolvimentos científicos e tecnológicos tem-nos ajudado muito enquanto espécie mas, apesar disso, a compreensão da natureza humana não tem acompanhado esta evolução. Provavelmente porque esta é imensamente mais complexa e não pode ser "operada" com as mesmas "ferramentas" que se utilizam quando nos observamos a nós próprios através de um ponto de vista mecanicista.

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