Reflexões, Partilhas e Divagações de João Sevilhano

Outros benefícios (?) das redes sociais

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Há estudos que nos explicam o número exacto de caracteres que um texto deve ter para poder ser lido por mais pessoas e, de forma mais precisa, para não enfadar nem levar ao abandono da sua leitura; há quem saiba o número exacto de minutos e segundos que um vídeo deve ter para ser visto até ao fim. 

Quando alguém afirmar que sabe quantas relações estabelecidas através das redes sociais são necessárias para atingirmos a felicidade estamos salvos ou condenados. 

Embora reconheça que estas capacidades são úteis e podem ajudar na adaptação ao mundo de hoje, tenho para mim que não podemos, não posso, deixar-me levar por esta onda. Há que reclamar o direito, ao ócio, à atenção, à presença, ao afecto autêntico e genuíno. Tudo isto leva tempo e muitos mais caracteres e minutos do que qualquer artigo ou vídeo fabricados a pensar na geração da “internet”, que somos todos nós que nela estamos.

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Os beneficios (?) das redes sociais

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Um dos argumentos muito utilizados por todas as redes sociais é a oportunidade de ligação entre as pessoas que proporcionam. De facto, através delas, movem-se pessoas que criam revoluções necessárias; vêem-se projectos a nascer que nunca veriam a luz do dia sem a sua existência; assiste-se a reencontros entre velhos amigos, familiares distantes, animais perdidos e outras felizes e infelizes tragédias da humanidade.

Por outro lado, criam condições para um novo tipo de violêncianovos tipos de manipulação e censura. Criam também, para mim, um dos seus maiores perigos, a ilusão de companhia que pode levar à solidão e isolamento.

Curioso este aparente paradoxo: as redes sociais podem levar à solidão e ao isolamento.

Portanto, acredito que, como em tudo, as redes sociais têm tanto de vantajoso como de perigoso. Tudo dependerá de quem está por detrás do gatilho ou, neste caso, de quem pressiona a tecla “enter”.

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Sem nada para escrever

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Esta semana, até hoje, não consegui escrever nada para além disto.

O tempo tem sido passado a escrever noutros lados, a ler, a conversar, a brincar... 

Esta semana não consegui, não quis, dar prioridade a este espaço. 

Há semanas assim...

Escrever sobre nada

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Há dias, há alturas, em que se sente uma energia que não tem fim, num duplo sentido da palavra. Não se sabe para que serve, não se conhece a sua finalidade, e não se encontram nem se descobrem os seus limites, não se conhece a sua verdade.

Há alturas em que se sente um desejo sem que se conheça o seu objecto. Uma vontade de nada; um desejo de tudo que com nada se se satisfaz.

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As redes sociais e o “complexo de Jesus (ou Maomé, ou Buda…)”

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Eu próprio posso ser acusado de sofrer desse complexo. Afinal tenho este blogue, estou nas redes sociais, leio notícias e sinto-me impelido e conhecer as que se transforma em novelas, embora não as siga nem as conheça a fundo, para não me sentir à parte das conversas da maioria. Ainda bem que cada vez menos sinto esse impulso.

Hoje confundem-se afectos com número de amigos, seguidores, subscritores, likes, retweets, corações, estrelas, visitas ou comentários. É triste.

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A riqueza e a imprecisão das expressões: "Uma hora pequenina"

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Na minha, na nossa, experiência o trabalho de parto durou desassete horas. Hoje, livre do corropio de sentimentos, emoções, dúvidas, perguntas, incertezas, inseguranças, alegria, ansiedade, felicidade, pergunto-me:

Que hora exacta, das desassete, desejariam as simpáticas pessoas que fosse pequenina?

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Carta ao pai (do João Tordo)

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Decidi partilhá-la, não porque tenha a presunção de poder ajudar na sua divulgação, afinal a carta foi publicada na íntegra no jornal Público e anda a circular no Facebook.

Decidi colocá-la aqui porque me identifiquei com as palavras do escritor, apesar de nada na minha vida se parecer com a situação concreta daquela família.

Identifiquei-me porque vivo e estou atento à realidade descrita. Porque reconheço esse fenómeno infeliz, habitual e anti-social dos comentários nas redes sociais, que tão bem reflecte o estado actual da sociedade, da humanidade.

Entusiasmei-me com a capacidade de escrever a realidade de forma tão clara, num homem que se dedica a escrever ficção.

Comovi-me com a coragem e com a habilidade para colocar em palavras os afectos que parecem tão reais, tão autênticos, mantendo a elegância de não comprometer a intimidade. A sua e a da sua família.

Heis a carta...

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Gosto de chuva

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Gosto de quando chove na cidade. Gosto particularmente da chuva em Lisboa. Gosto da forma como as gotas se amontoam nas extremidades dos edifícios, de como aí ficam a engordar até não mais aguentar precipitando-se em direcção à calçada. Gosto da forma  como os carris dos eléctricos se transformam em pequenos rios, correndo mais depressa ou mais devagar consoante a inclinação da rua. E tantas ruas inclinadas tem Lisboa. Quando apanho um desses rios a correr sou invariavelmente transportado para um estado de criança, apetece-me dobrar uma folha de papel para que se pareça com um barco e colocá-lo a descer, por exemplo, a Calçada da Estrela. Deveria descer rápido!

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Obsessões modernas, ambições clássicas

Added on by João Sevilhano.

Este texto chega com uma semana de atraso, apesar de o ter começado a escrever há algum tempo. Tenho querido escrever sobre tecnologia, sobre o impacto que tem nas nossas vidas, na minha vida. Nunca foi intenção de utilizar este espaço para fazer reviews de aplicações ou de aparelhos, nem é esse o sentido que quero dar a este texto, embora não queira fechar essa possibilidade, já que a renovação que quis fazer a este espaço tem a vantagem de não me limitar a formatos, propósitos e estilos predeterminados.

Como referi, há algum tempo que tenho vontade de partilhar algumas das ideias e reflexões que tenho feito acerca do papel da tecnologia, das influências e repercussões do seu uso na nossa vida enquanto indivíduos, sociedade e civilização. Mais concretamente tenho-me interessado por questões como: a acessibilidade da informação, do conhecimento e a dimensão “social” digital que hoje nos liga todos. Até os que nela não participam, ou dizem que não participam. Mesmo esses, estando fora, desempenham o seu papel e fazem sentir o seu impacto, pela oposição e exclusão, em mais do que um sentido, que representam.

Mais recentemente tomei contacto com o Evgeny Morozov - autor, pensador, crítico e profuso utilizador do Twitter. Para quem não o conhece sugiro a leitura deste artigo.

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Mini-Novela Epistemológica*

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No reino das grandes áreas do saber, já depois do auge onde todo o seu esplendor, beleza e complexidade seduziam de forma incontornável; tendo, por isso, perdido já algum do seu sex appeal - exibindo uma elegância típica das divas que, apesar da sua condição privilegiada , ganham com o passar dos anos - a Filosofia começou a interessar a Medicina. Esta última, ganhava um novo estatuto, apesar de sempre ter estado próxima dos deuses. Pode-se até conjecturar que se terá aproveitado da “velha” diva, embora a verdade nunca se tenha descoberto e, provavelmente, nunca se venha a descobrir.

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